segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O brasileiro dá "jeito" com "jeitinho"

Quando falamos no famoso “jeitinho brasileiro”, as primeiras coisas em que pensamos são suborno e esperteza. Embora essa não seja a única maneira de definir o “jeitinho”, é cada vez mais difícil o cidadão afirmar que nunca tenha recorrido a ele. Assim é a vida do brasileiro: diz o senso comum que ele dá seu jeito em praticamente tudo. É o pára-lama do carro amarrado, em vez de soldar; é matar a avó pela quinta vez para justificar a ausência a uma prova, na escola; é a conversa com o guarda para não levar aquela multa.
O “jeitinho brasileiro” gera polêmica com a própria população. Há os que consideram um modo de corrupção, já outros acreditam que é apenas uma maneira de aliviar alguma sanção sem envolver dinheiro. É comum ver o cidadão falar indignado contra os “mensalões” da vida, mas muitos dos que reclamam da corrupção, do desrespeito às leis, pagam uma “cerveja” para se livrar de uma multa, avançam o sinal vermelho quando não há câmera, dirigem sem o cinto de segurança.
Para a assistente social Maria Eliane Manhães Siqueira, o brasileiro busca obter um rápido favor para si, às escondidas e sem chamar a atenção; por isso, o jeito pode ser também definido como "jogo de cintura", habilidade de se "dar bem" em uma situação "apertada". “O cidadão busca através desse meio um modo de se livrar de uma situação que o deixe acuado, por isso conversa com o guarda para se livrar daquela multa”, afirmou Siqueira.
Ainda de acordo com a assistente social, embora o termo esteja ligado a corrupção, a maioria das pessoas acreditam que o “jeitinho” é diferente, mais brando. “Quando o 'jeito' começa a envolver dinheiro, a mentalidade modifica, e todos são categóricos ao afirmar que não gostam ou que não são adeptos à corrupção”, conclui Maria Eliane.
De acordo com o comandante de operações da Guarda Civil Municipal (GCM), sargento Edmilson Sales, é fácil identificar no trânsito do município a utilização do “jeitinho”. “Nas ruas da cidade lidamos constantemente com o 'jeito brasileiro', principalmente quando a pessoa está sendo multada por infrações comuns como a falta do cinto de segurança”, afirmou Sales.
A facilidade do “jeitinho” não foi o suficiente para o autônomo Lenilson Gomes da Silva escapasse de uma multa. Lenilson foi flagrado por um guarda civil sem o cinto de segurança, em uma das avenidas de maior fluxo em Campos, a 28 de Março. “Eu reconheço que estou errado, mas sai de casa agora e estava indo para a casa de um parente aqui perto, pensei que não havia a necessidade do cinto, mas já sei que agora isso não vai mais acontecer”, enfatizou o autônomo.

Com o objetivo de melhorar o trânsito e reeducar o motorista sobre os riscos que o “jeitinho” provoca, a GCM sempre desenvolve campanhas de educação no trânsito voltada para motoristas, motociclistas, caminhoneiros e pedestres. “O trabalho é voltado para conscientizar a população quanto a utilização do cinto de segurança, no caso dos motoristas, e de capacete, no caso dos motociclistas; a proibição no que se refere ao uso do telefone celular quando estiver dirigindo; e também a questão do estacionamento em local proibido, bastante comum no centro”, afirmou o sargento.
O jeitinho X Escolaridade – Diferente do que muitos pensam, as pessoas que mais deram um jeitinho em diversas circunstâncias na vida, até mesmo no trânsito, são justamente as que têm a escolaridade mais elevada. Siqueira afirma que quanto mais baixa a escolaridade do indivíduo, mais ele tende a acreditar que utiliza pouco o “jeitinho”. “A pessoa de escolaridade mais baixa pensa que o que estão lhe fazendo é um favor, que ora ele oferece, ora recebe dos outros”, afirmou Siqueira.
Para a professora Adélia de Menezes Lacerda, o jeitinho tem ligação direta com a corrupção, mas o seu uso está diretamente ligado ao caráter da pessoa. “Eu já utilizei o 'jeitinho, estava atrasada para o serviço e a fila do banco não andava. Porém, a utilização excessiva está ligada ao caráter da pessoa”, comentou Adélia.
Corrupção ou não, esse meio termo entre o certo e o errado já está enraizado no imaginário popular. Alguns personagens populares trazem esta característica. Um dos mais conhecidos é o Pedro Malasartes, de origem portuguesa, profundamente enraizado no folclore popular brasileiro através do livro "Malasaventuras", escrito pelo paulistano Pedro Bandeira. João Grilo, personagem de Ariano Suassuna em O Auto da Compadecida, também carrega em si o jeitinho.

Sérgio Cabral lança o Plano de Prevenção de Inundações no Verão 2008

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Presença de Cabral já com atraso

O governador Sérgio Cabral estará hoje em Campos, onde participa de solenidade na Universidade Federal Rural, em Donana, quando lança o Plano de Prevenção de Inundações no Verão 2008, além de assinar o Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental e anunciar o incentivo financeiro para promover a agricultura sustentável nos municípios do Norte e Noroeste fluminenses. A prefeita eleita Rosinha Garotinho, participa da cerimônia, que estava marcada para as 10h, mas de acordo com o cerimonial o governador deve chegar as 11h30.